Se
engana profundamente quem acha que a saudade é uma dor exclusivamente
psicológica, ela é física também, é como se uma mão apertasse seu
coração e a outra obstruísse suas vias nasais, o peito dói e a
respiração parece pesar.
Nesse instante trago comigo a viva sensação
de que as coisas poderiam ter sido diferentes, que o adeus poderia ter
sido adiado e que além de dolorosa a ausência se deu prematura.
As relações fatidicamente chegam a um fim, mas como aceitar que algo
tão vivo se apague dentro de mim quando tudo parecia tão lindo, quando
os planos e sonhos se faziam presentes e as idéias se completavam como
se pertencessem a um corpo só?
Já não quero mais ser tão forte,
sinto como se alimentasse em mim um depósito de angústias não
resolvidas, não suprimidas e tenho medo de que um dia tudo isso volte a
me atormentar, tá na hora de encarar a dor e dizer pra ela que não sou
tão poderoso assim, tá na hora de ser humano, é hora de chorar tudo o
que ficou guardado e de colocar pra fora tudo que não foi resolvido.
Afinal ser forte é enfrentar, evitar nada mais é do que um subterfúgio da dor.
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